terça-feira, 29 de março de 2016

Ensino Fundamental
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Maio/2013
Educação em casa | Edição 193

A escola escanteada


Cresce o número de pais que preferem educar os filhos fora do ambiente escolar por considerá-lo "pobre" e "ineficaz"; projeto de lei pretende regulamentar a prática no Brasil


Udo Simons
 
Rayssa Coe
Alexandre diz que aos 3 anos Luísa já estava totalmente alfabetizada em português. Além disso, a filha estuda inglês pela internet
Até onde vai o direito da família de escolher o tipo de educação que quer dar a seus filhos? A discussão, antiga no Brasil e em diversos outros países, pode esquentar por aqui. Ao mesmo tempo em que tramita um Projeto de Lei para regulamentar a prática do homeschooling no país, aumenta o número de famílias que aderem à educação domiciliar, mesmo fora da lei. O próprio ambiente escolar tem contribuído para isso: as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre e ineficaz são algumas das justificativas dos pais brasileiros que optam pela educação em casa. Mas, e o efeito dessa prática na aprendizagem dos alunos?
Com 37 anos de profissão, a doutora em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RGS), Helena Sporleder Cortes, destaca que o ensino não é apenas o ato de aprendizagem em sala de aula. "É aprender a ser cidadão. A conviver com o outro. É saber, ter, fazer e conviver, como nos lembra a Unesco em seus preceitos sobre educação", enfatiza Helena.

> Família relata o cotidiano de estudos em casa
Para a professora, por mais competentes que sejam os pais nesse processo de ensino apartado da escola, ensinar é uma prática e exige formação. "Quais serão os critérios de supervisão? Qual será a competência necessária dos pais?", questiona-se Helena sobre o tema. Isso, sem contar com o fato de a educação contribuir para a construção da identidade da criança. "Numa escola, o colega em sala de aula é seu par horizontal; os adultos são a relação vertical, de hierarquia, dinâmicas fundamentais na formação", completa.

O que diz a leiAtualmente, no Brasil, pais ou responsáveis por crianças que não estejam regularmente matriculadas na Educação Básica estão sujeitos a punições como multa e perda da guarda dos filhos.
Não matricular crianças no ensino fundamental, dos 6 aos 14 anos, é considerado abandono intelectual­ pelo Código Penal Brasileiro. O artigo 246 prevê que: "Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar: a pena é de detenção, de 15 dias a um mês, ou a aplicação de multa".
Pela Constituição brasileira é dever do Estado e dos pais ou responsáveis garantir o ensino regular às crianças e aos adolescentes de 4 a 17 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), alterada recentemente para a matrícula a partir dos 4 anos, reforçam a obrigatoriedade.
Segundo a advogada da organização Ação Educativa, Ester Rizzi, as decisões judiciais concedidas no Brasil em relação a esse caso costumam variar entre: autorizar o homeschooling, determinar a matrícula em escola regular, determinar uma multa ou destituir a guarda dos pais, transferindo as crianças para um parente/ abrigo. "Nunca vi ninguém ser preso por crime de abandono intelectual", diz.
Apesar de ser uma prática negada pela legislação brasileira, de acordo com dados da Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned), existem no Brasil mais de 800 famílias praticantes da educação em casa. No final da última década, eram cerca de 300. Minas Gerais é o estado com maior concentração de pessoas praticantes do homeschooling, com mais de 250 famílias. E a cidade de Governador Valadares concentra o maior número delas.
As famílias que, de fato, levam à frente a educação domiciliar utilizam a portaria do MEC nº 10 de 23 de maio de 2012 para evitarem as consequências legais. O texto determina que a certificação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não pressupõe a frequência em escola pública para efeito de concessão de benefícios de programas federais. Qualquer pessoa acima dos 18 anos, tendo ou não frequentado a educação formal, está apta a obter certificação de conclusão do ensino médio se alcançar a pontuação necessária na prova do Exame.
O novo projetoO Projeto de Lei 3.179/2012 pretende mudar esse cenário, descriminalizando a não matrícula. O texto deveria ser apreciado pela Comissão de Educação no final de abril. Geralmente, projetos de lei levam seis anos para passar por todos os trâmites da Câmara e do Senado antes de serem aprovados.
Autor do Projeto de Lei que regulamenta o ensino fora da escola, o deputado federal Lincoln Portela (PR/MG) diz ter se sensibilizado pelo fato de as famílias praticantes da educação domiciliar serem criminalizadas. "Precisamos garantir a essas pessoas o direito de exercer sua opção por educar seus filhos em casa. Ao fazerem isso, elas não estão negligenciando a educação. Estão adotando, apenas, um caminho", justifica.
Formado em Teologia e presidente da Igreja Batista Solidária, sediada em Belo Horizonte (MG), quando fala do assunto, Portela defende, insistentemente, que essa seria apenas mais uma modalidade de ensino. "O PL não é para colocar o ensino domiciliar como modelo único, dominante, de massa ou para se contrapor ao ensino formal, tradicional. É para criar possibilidades para os pais educarem seus filhos da maneira que considerem a mais adequada".
Quando questionado, contudo, sobre como é possível acontecer o convívio entre a educação formal e a domiciliar, por exemplo, como haveria fiscalização sobre esse modelo de ensino, ele ainda não tem respostas conclusivas. "Temos muito diálogo pela frente." E esboça o que poderia ser uma forma de fiscalização. "Avaliações do governo trimestrais, semestrais, ou anuais. Essas são questões que ainda precisam ser reguladas."
Resistência internaO deputado Portela tem dois filhos, ambos advogados. Nenhum deles, entretanto, foi educado pelo modelo domiciliar. "Faltou tempo a mim e a minha esposa para assumirmos essa responsabilidade", comenta.
Alexandre Magno Fernandes Moreira tem dedicado tempo à educação de sua filha. Ele é bacharel em direito, professor universitário, procurador do Banco Central, mas trabalha hoje para o Ministério da Educação, onde atua na Coordenadoria de Licitação, Contratos e Convênios na área Jurídica. Alexandre é, também, o diretor jurídico da Aned, onde advoga, como enfatiza, pro bono (atividade voluntária). Autor de Homeschooling: uma alternativa constitucional à falência da educação no Brasil, de agosto de 2008, Alexandre é pai de Luísa, hoje com 4 anos de idade. "Aos 3 anos e meio ela pegou um papel e lápis e escreveu o nome dela", diz o pai-educador.
Alexandre tomou conhecimento desse modelo de educação quando Luísa tinha apenas meses de vida. "Passei, então, a alfabetizá-la, estimulando o contato com as letras", relembra. Mas a primeira resistência à possibilidade de educar a filha em casa foi demonstrada por sua esposa (hoje ex-mulher). "Houve certo desgaste, ela não aceitava nossa filha educada integralmente de forma domiciliar. Daí, optei por uma educação domiciliar complementar", relata.
Segundo o pedagogo e pesquisador Fábio Schebella, orientador pedagógico para as famílias interessadas e praticantes do ensino domiciliar, há uma grande variedade de motivos que levam alguém a decidir pelo ensino em casa. "Porém, há três eixos preponderantes. São eles: impossibilidade física e/ou geográfica de frequentar uma instituição escolar; a busca por uma qualidade educacional superior; e o desejo de instruir os educandos conforme as opções ideológicas, filosóficas, políticas e/ou religiosas da família."
Experiências Negativas
A pesquisa Escola? Não, obrigado: um retrato da homeschooling no Brasil, monografia apresentada, em 2012, por André de Holanda, sociólogo pela Universidade de Brasília (UnB), confirma a percepção. O estudo é uma pesquisa demográfica com mais de 60 pais que educam os filhos em casa no Brasil. A maioria considera o ambiente de socialização escolar nocivo e, nas entrevistas, todos citaram experiências negativas sofridas da parte dos filhos ou deles mesmos nas escolas (veja quadro na página anterior).
De modo complementar (mas não menos importante), relata André, aparecem as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre e ineficaz (não necessariamente segundo parâmetros religiosos e morais). André enfatiza, entretanto, que o método de amostragem utilizado não permite generalizações para toda a população de homeschoolers no Brasil. "No meio acadêmico, falamos que a amostragem foi por conveniência e que a pesquisa foi autosselecionada, ou seja, foram os próprios pais que decidiram se iriam ou não participar", explica.
Já no caso dos Estados Unidos - país com a maior população de estudantes domiciliares do mundo (veja box ao lado) - a principal motivação dos pais para tirar os filhos da escola é religiosa ou moral - 36% segundo a pesquisa de André, citando o National Center for Education Statistics. Em segundo lugar vem "preocupação com o ambiente das escolas regulares", com 21%.
Para Schebella, apesar de o Brasil enfrentar tantos problemas educacionais, a homeschooling não é, necessariamente, a saída definitiva para todos. "Cada família e cada educando possui demandas, características educacionais que precisam ser consideradas ao se optar pelo gênero e modalidade de ensino. Dessa forma, o ensino em casa pode ser a solução para um grande número de famílias, mas talvez não o seja para todas."
Par a professora Helena Cortes, o ensino domiciliar  ainda é inexpressivo no país, mas não invisível. "Como educadores temos de estar preparados para essa forma de ensinar [para um possível crescimento]", reflete.

 referência:http://revistaeducacao.com.br/textos/193/a-escola-escanteada-288372-1.asp

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016


Escola: dicas práticas para a volta às aulas.


Como organizar o horário de sono, decide quem vai levar e buscar, inventar novos lanches...

por Cristiane Rogerio e Thais Lazzeri.

 Reprodução
VIDA PRÁTICA
A primeira semana...
Há ainda muitas dúvidas e pontos a resolver, apesar de você já ter passado por tantos ao escolher a escola ou manter seu filho na mesma. Junto ao medo de ele chorar na escola e de sentir saudades, você vai ver que terá de mudar a hora do “soninho da tarde”, que novos alimentos introduzidos na escola podem alterar o funcionamento do intestino dele, e, claro, precisará resolver como vai preencher o vazio das horas que ele estará na escola. O que você quer mesmo é saber se tudo ficará bem. E o que bate forte é a alegria e a emoção de ver que o filho está em uma nova etapa da vida.
Mantenha alguns hábitos antigos 
Você vai precisar ser uma rainha da organização da rotina e mais: a entrada na escola vira os horários do avesso. Mas manter alguns hábitos que a criança tinha antes da escola é importante, principalmente se ela for bem pequena. Ela não quer mais ouvir histórias nem comer na hora do jantar? Mostre que isso continua importante, que é uma espécie de ritual dentro de casa. “Algo gostoso que só fazemos aqui”, que tal? Por outro lado, a escola muda as preferências, dá outros referenciais, e isso pode significar repensar a rotina antiga, ver o que não interessa mais à criança. É um momento muito importante, pois ela está experimentando. E, de certa forma, os pais também.
Registre tudo! 
Que tal fotografar o primeiro dia de aula? Aquela foto linda com a mochila, o uniforme novo, a expressão de ansiedade... pode virar uma coleção para todos os anos da escola. E será muito gostoso rever tudo isso mais tarde. Não só para a criança: você vai querer lembrar disso sempre.
4 toques importantes para entrar sem dramas na rotina das aulas 
• Uma das maiores dificuldades quando o assunto é rotina é acostumar a criança a mudar seu horário de acordar. Se ela for à escola de manhã, comece a despertá-la em horários próximos aos da aula pelo menos uma semana antes. Aos poucos, ela vai se acostumar. Se for estudar no período vespertino, veja se vai ser preciso alterar o horário do almoço e do banho dela.
• Nos dois casos acima, uma boa dica é, uma semana antes, seguir os horários que seu filho terá depois de começarem as aulas, como um treinamento mesmo.
• Leve-o para visitar a escola antes do primeiro dia de aula. Mostre onde vai ser a sala de aula e responda às dúvidas que aparecerem: quem é o professor, o que ele faz, quantos colegas têm na sala, para onde ele tem de ir, onde é o banheiro etc.
• Estabeleça antes uma rotina para o período em que ele não está na escola: hora das refeições, tempo livre para brincar, o momento da lição de casa, de descansar.
Olhos ainda mais atentos ao relógio
“Há dois pontos que mais me marcam no começo ou no retorno das aulas do João. Os horários na primeira semana ficam bem atrapalhados. Acordar cedo é difícil para ele e todo mundo acaba chegando atrasado: João, na escola, e eu, no trabalho! Por isso, preciso estar ainda mais de olho no relógio: aumento o meu controle para não me perder no tempo. E quando chegam as férias, começa tudo de novo: só o fato de o pequeno estar em casa acaba mudando a minha rotina. Deixa os nossos dias de trabalho com cara de férias.” 
Ana Paula Pontes, repórter de CRESCER e mãe de João, 5 anos

 Reprodução
8 itens para prestar atenção no berçário
• O ideal é que exista um berçarista para cada três crianças.
• Observe como é o controle de entrada e saída dos funcionários.
• Em qualquer “entradinha rápida” você pode saber o jeito que a equipe trata as crianças.
• Entenda mais sobre as rotinas do bebê, o que faz e se há brinquedos ou livros à mão.
• A agenda da criança com as anotações podem ajudar muito no item acima e mostrar seu desenvolvimento – e até suas preferências.
• Como a área verde e o tempo em contato com o sol é fundamental, veja se isto está acontecendo com frequência.
• Nas casas com escadas, fique de olho nas condições das grades e portões. Observe também como estão os protetores de tomadas, das quinas de móveis etc.
• O estado do bebê e dos itens dele na mala, por exemplo, dão uma boa ideia de como o berçário se preocupa com pontos como higiene.
O sono sempre muda
Se todas as manhãs são sofridas, algo está errado. As perguntas que você deve fazer a si mesma:
Ele realmente foi dormir no horário certo e teve um sono tranquilo? O recomendado para crianças em idade escolar é cerca de dez horas de sono – e soneca da tarde não entra na conta.
A escola é em período integral e talvez ele não esteja descansando anto quanto deveria? Entre em contato com a escola e veja os horários de descanso que a criança tem e como ela está dormindo por lá.
Meu filho é uma criança vespertina? Se ele estuda cedo, mas o rendimento é melhor à tarde, matricule neste período, ou vocês vão sofrer todas as manhãs. Procure uma alternativa – e uma solução – em parceria com a escola.

Arquivo Pessoal
Transporte escolar 
A primeira decisão é saber quem vai levar e buscar a criança na escola, é claro. Caso os pais não possam, nem a babá ou outra pessoa da família, uma van ou um esquema de rodízio de carona com outros pais podem ser boas alternativas. Liamara Montagner Salamani, coordenadora pedagógica do Colégio Santo Américo (SP), dá aqui outras dicas:
CUIDADOS PARA CONTRATAR UMA VAN
1 Veja se a van é indicação da escola e se essa se corresponsabiliza pela proteção do seu filho.
2 Cheque a habilitação do motorista e documentos do veículo.
3 Calcule quanto tempo a criança vai ficar no transporte. Se ele entra na escola às 8 h e a van passa às 6 h na sua casa, nem pensar.
4 Verifique se o veículo possui cinto de segurança para todas as crianças e se há cadeirinha.
SE FOR ALGUÉM DA FAMÍLIA
1 Primeiro veja se a pessoa que vai pegar as crianças tem mesmo disponibilidade para isso e quer fazê-lo todos os dias. A obrigação pode acabar com a boa vontade. Converse com ela sempre e tente ajudá-la com os custos do combustível, por exemplo.
2 Deixe o nome dela e o número da documentação na escola. Se por algum motivo outra pessoa for buscar a criança, informe a escola, com um dia de antecedência, o nome e a documentação, tudo escrito na agenda do aluno. Se for alguma emergência, ligue para a escola e passe os detalhes.
CARONAS ENTRE OS PAIS (é uma alternativa que, além de tudo, contribui para o meio ambiente: carona põe menos carros nas ruas!)
1 A escola pode ajudar a ver quem pode se envolver e organizar um rodízio entre os pais.
2 Pergunte a distância entre uma casa e outra – se você (ou o pai que der carona para o seu filho) sair mais que 20 minutos da rota habitual, a viagem vai ficar cansativa.
3 É legal vocês estabelecerem algumas regras entre os caronas: crianças menores de 10 anos só no banco de trás e com cinto de segurança (a partir de 2010, a cadeirinha será obrigatória para crianças até os 7 anos de idade; mas, é claro, hoje isso já é mais do que recomendado).

 referência 
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI25792-15153,00.html

terça-feira, 22 de dezembro de 2015




08/06/2013 06h01 - Atualizado em 17/05/2014 06h00

Pais participativos são segredo para um 




bom desenvolvimento escola


Confira dicas para acompanhar com eficiência a educação de seus filhos

Acompanhar o estudo dos filhos é uma boa estratégia para se interar do conteúdo trabalhado na escola (Foto: Divulgação/ Thinkstock/Getty Images)Acompanhar o estudo dos filhos é uma boa estratégia para se interar do conteúdo trabalhado na escola
(Foto: Thinkstock/Getty Images)
Apesar de cumprirem funções diferentes no processo educativo de crianças e jovens, escolas e responsáveis dividem a responsabilidade de formar cidadãos conscientes e capazes. Entretanto, muitos pais, seja pelas longas jornadas de trabalho ou por negligência, acabam depositando nas instituições de ensino toda a função de educar.  Especialistas afirmam que a ausência do acompanhamento familiar de qualidade gera lacunas na educação que podem potencializar problemas psicológicos e no aprendizado.
Paulo Pires, professor adjunto da Faculdade de Educação da UFF (Foto: Divulgação/ Paulo Pires)Paulo Pires, professor da Faculdade de Educação
da UFF (Foto: Divulgação/ Paulo Pires)
Paulo Pires, professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), defende que crianças e jovens que possuem acompanhamento escolar de qualidade obtêm resultados mais eficientes. “Educar não é um verbo que pressupõe ações apenas nos limites da escola. É preciso acompanhamento dos pais de forma cuidadosa. A participação como uma simples presença física, apenas para autorizar e legitimar que a escola faça com a criança ou jovem aquilo que julgar ser melhor, não é interessante”, garante.
A presença ativa e atenciosa de pais em reuniões e atividades escolares é reconhecida pelo especialista como uma ação de extrema importância por promover o contato direto dos responsáveis com o ambiente escolar, educadores e com a metodologia de trabalho que está sendo desenvolvida. Para os pais que, por vezes, não podem comparecer a tais encontros, Paulo Pires sugere o acompanhamento virtual. “Hoje, vivemos o mundo da imagem. As escolas estão sempre colocando o que estão fazendo em sites e redes sociais. Os pais também podem acompanhar o trabalho da escola por essa trajetória”, afirma.

Achilles Shirol, é pai de Achilles Kemper, de 9 anos. Ele conta que constantemente está atualizado sobre o conteúdo trabalhado na escola por ter o costume de olhar e conversar sobre os deveres de casa com o filho. Ir a atividades e reuniões escolares também estão entre suas estratégias para acompanhar o desenvolvimento escolar de Achilles. E a conexão com a instituição de ensino se intensificou ainda mais este ano após a primeira reprovação do filho “Converso bastante com a escola. Mantemos um acompanhamento conjunto. E este ano estamos ainda mais atentos”, afirma.
Além de apostar na relação e conexão entre pais e escola, Paulo Pires defende que o bom relacionamento entre pais e filhos é essencial no acompanhamento da educação escolar. “Pais devem estar atentos às representações sociais que os filhos trazem para casa. A partir da atenção a esses aspectos, seja do corpo ou do discurso, eles são capazes de observar necessidades e demandas para estabelecer com a escola”, garante. E para os pais que saem de casa cedo, voltam para casa tarde e só encontram os filhos dormindo, o professor sugere o uso da tecnologia em prol do diálogo. “Os pais podem construir mecanismos, apropriando-se de novas tecnologias para poderem estar atentos ao que seus filhos estão fazendo. E dialogar com eles”, afirma.
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Jorge Freire e sua filha Ana Beatriz Freire (Foto: Divulgação/ Jorge Freire)Jorge Freire e sua filha Ana Beatriz Freire
(Foto: Divulgação/ Jorge Freire)
Jorge Freire é pai de Ana Beatriz, de 10 anos, e diz que sempre se preocupou muito em acompanhar o aprendizado da filha. Jorge conta que faz questão de estar presente em atividades e reuniões escolares, além de  complementar o conteúdo trabalhado na escola com atividades culturais. “Sempre tentei acrescentar conteúdos ao que era trabalhado em sala de aula. Por exemplo, se na escola o assunto era meio ambiente, nós visitávamos um museu que apresentasse o tema, tipo Museu da Vida, em Manguinhos, ou líamos um livro que falava sobre o assunto. Procuro enriquecer a formação escolar tentando apresentar outros assuntos e vivências, que muitas vezes não são o foco nas escolas, principalmente nos campos de conhecimento das artes e no esporte”, acrescenta.
Escolas também têm o papel de incentivar a participação dos pais
(Confira ao lado dicas para os pais elaboradas pelo Canal Futura)
Escolas também podem valorizar e incentivar a participação dos pais no processo educativo de crianças e jovens. Para aquelas que desenvolvem uma pedagogia tradicional, Paulo Pires sugere que o envolvimento dos responsáveis seja introduzido em aulas pensadas para fora da escola e planejadas com antecedência para que os pais se programem.
(Confira ao lado dicas para os pais elaboradas pelo Canal Futura)
Anderson Paulino é vice-presidente do Jardim- Escola Michaelis, associação baseada nos conceitos da pedagogia Waldorf, que tem a participação dos pais como um dos pilares de sustentação fundamental para a instituição. “Somos uma associação mantenedora em que os pais também são os donos da escola. Eles têm participação no conselho, assembléias gerais e reuniões ampliadas, além de suprir necessidades de existência da escola. Os professores cuidam da pedagogia e os pais das necessidades físicas, financeiras e estruturais”, explica. Para Anderson, a presença dos pais na escola se reflete diretamente no aprendizado dos alunos. “Penso que o reflexo disso é uma escola mais harmoniosa, coerente onde aquilo que se pensa se traduz naquilo que se faz. Vejo que a criança aprende e se sente mais feliz na escola”, afirma.
(Confira ao lado dicas para os pais elaboradas pelo Canal Futura)

Daniela Moreira escolheu para sua filha Isadora, de 8 anos, uma escola orientada na pedagogia Waldorf. Ela conta que, como mãe, representa um elemento constituinte da escola. “Pais são parte da edificação da escola. Eu mesma já participei de um mutirão de jardinagem e o pai da minha filha da construção de brinquedos", diz.. Para Daniela, sua atuação na escola se reflete diretamente no aprendizado de Isadora. “Quanto mais os pais participam, mais robusta e equipada a escola fica. Na escola Waldorf brinquedo é aprendizado, então, quando construo um brinquedo colaboro para o aprendizado da minha filha”, exemplifica.

REFERÊNCIA: http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2013/06/pais-participativos-sao-essenciais-para-um-bom-desenvolvimento-escolar.html


























quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

8 DE FEVEREIRO DE 2011

COMO MODIFICAR O (MAU) COMPORTAMENTO NAS CRIANÇAS

Cada criança é um mundo e não existem estratégias universais eficazes para todas. O que funciona em um caso pode não ser eficaz em outro. Mesmo assim, há uma série de princípios que se utilizados com a suficiente habilidade podem ajudar a estabelecer, modificar ou eliminar alguns comportamentos nas crianças. Estes são:


1-OS LIMITES: São fundamentais. Todo pai deve colocar limites às demandas dos filhos. Se os limites não forem estabelecidos nos primeiros anos de vida, será bem mais difícil estabelecê-los depois. Explique ao seu filho o seu ponto de vista tranquilamente e com uma linguagem adequada à idade da criança. Não utilize o tom imperativo nem os gritos. Faça-lhe saber que você está triste e desgostado com o comportamento dele (ou dela), que está decepcionado, mas mantenha-se firme em sua posição. É necessário estabelecer, desde a primeira infância, hábitos adequados no que se refere a alimentação, ritmo de sonho, higiene, etc... São os próprios pais os que têm de marcar seus próprios limites e normas em função da idade da criança e seus valores educativos. Pôr limites não deve ser um trabalho coercitivo, mas sim um jogo de equilíbrios, no qual a criança aprenderá o sentido de dar e receber, ao mesmo tempo em que vai interiorizando uma série de pautas e valores que lhe servirão como referentes no futuro.

2-CLAREZA: Seja claro quando der as instruções. Se queremos estabelecer limites, a criança deve saber exatamente que estamos pedindo a ela.

Se dissermos ao nosso filho ou filha: “Comporte-se bem” ou “Pare de amolar!” isto pode supor diferentes coisas em diferentes situações. É mais eficaz concretizarmos a demanda em uma situação concreta. Por exemplo, em uma situação de passeio pela rua diremos: "Não atravesse até o sinal mudar", em casa durante uma brincadeira: "Não quero que atire os brinquedos na sua irmã".

3-ATENÇÃO: Dê atenção ao seu filho (a) quando ele realizar as condutas desejadas. Caso retire por um tempo a atenção dispensada a ele (a). O elogio verbal e sincero funciona muito bem como apoio de outros reforços. Em caso de aparecimento de uma conduta inapropriada (gritos, birras, pirraças...) retire a atenção ou use técnica do Tempo Fora. Um prêmio não esperado e contingente à realização de alguma conduta desejada aumenta a probabilidade de que o comportamento se repita. Você pode estabelecer também prêmios e consequências contingentes aos diferentes tipos de comportamento.

4-PARTICIPAÇÃO: Quando se estabelecem limites ou regras, estes devem ser respeitados por todos os membros da família. Pais, irmãos ou avôs devem atuar de igual modo diante do mal comportamento das crianças. Se só o pai ou a mãe exige certos requisitos, o avanço torna-se complicado senão impossível.

5-MINIMIZAR: Quando dê instruções à criança minimize o NÃO. É mais efetivo o dizer-lhes o que devem fazer do que o que não devem fazer. Por exemplo, é melhor dizer: "Fale mais baixo” do que "Não grite!". A primeira será vivenciada como uma sugestão e a segunda como uma imposição.

Devemos sempre desaprovar o comportamento indesejável (morder, desobedecer, gritar) nunca a criança (você é um desastre, é muito mau, é chato...).

6-ESCOLHAS: Deixe o seu filho escolher. Podemos minimizar a probabilidade de desobediência se proporcionamos à criança várias opções para que ela escolha. Por exemplo, em lugar de dizer: "Junte todos os brinquedos", podemos dizer: "Você deve guardar os brinquedos que estão espalhados pelo chão, você pode escolher dois ou três para continuar brincando agora, mas o resto deve ser guardado. Quais você vai escolher? Você lembra ao seu filho que a responsabilidade de guardar os brinquedos é dele, mas, ao mesmo tempo, ele terá certa sensação de controle sobre a situação e tolerará melhor a demanda do adulto. Uma vez estabelecido o hábito de recolher e guardar os brinquedos provavelmente ele o faça sem demasiadas queixas e sem ajuda.

7-EXPLICAÇÃO: Acompanhe a demanda com uma explicação. Se dermos uma explicação a uma instrução dada podemos ajudar a que interiorizem valores de conduta. Por exemplo, podemos dizer-lhe: "Se você bater em seus amiguinhos, eles vão ficar tristes e não vão mais brincar com você". Ele deve entender que a nossa demanda não é por capricho, senão por que o comportamento dele tem efeitos desagradáveis nas pessoas e que isto traz consequências.

8-ALTERNATIVA: Quando tivermos que dizer NÃO, poderemos minimizar o efeito negativo com uma alternativa: "Você NÃO vai comer chocolate antes do jantar, mas se comer certinho toda a comida a mamãe vai fazer aquela sobremesa de que tanto gosta".

9-FLEXIBILIDADE: Devemos criar limites e regras, mas ao mesmo tempo devemos aprender a ser flexíveis em algumas situações especiais. As crianças crescem e os problemas e suas circunstâncias mudam. Devemos estar abertos para revisar e modificar o sistema de contingencias quando seja necessário. Uma rigidez extrema na configuração do sistema e suas regras é o melhor convite para que a criança não os cumpra.

10-COERÊNCIA: Deve haver coerência entre o que exigimos das crianças e o que elas observam em seu meio mais imediato. Não podemos pedir obediência e respeito a uma criança que vive em um meio de menosprezo ou maltrato familiar.

11-CONTROLE: Controle suas emoções quando o problema estourar. Quando seu filho repetir o comportamento que não desejava, quando receber uma ligação do colégio, quando tudo parece afundar...tome-se um tempo antes de responder e se descontrolar. É fundamental o controle das nossas emoções. Nosso objetivo é educar a criança. Se formos demasiado emocionais não estamos em condições de oferecer o melhor modelo de nós mesmos. Proporcione-se um tempo de respiro, retire a atenção da criança conforme as circunstâncias lhe permitam, faça seu filho saber imediatamente seu desgosto e depois em frio analise a situação e tome as decisões oportunas. Não aja “em quente”. Nem você nem seu filho estão então nas melhore condições.

Não caia na armadilha de se envolver em um diálogo de recriminações com seu filho. É a melhor forma de acabar estabelecendo um tipo de relacionamento conflitivo e coercitivo que não vai levar a nenhum lugar. Isto não quer dizer que o mal comportamento não deva ter consequências para a criança. As consequências que devem ser pensadas “em frio”, porém aplicadas o antes possível para que sejam efetivas.

12-CONSTÂNCIA: É básico ser constante na aplicação de qualquer estratégia que queira modificar ou estabelecer comportamentos. Não se desanime se houver um fracasso. Muitas vezes ocorre que quando são aplicados limites ou regras pela primeira vez, se produz uma reação negativa. Isto é especialmente notável naqueles casos nos que a criança percebe que certos privilégios vão ser retirados. Isso pode provocar, de início, um aumento da frequência e magnitude dos episódios problemáticos que depois, na maioria de casos, diminuem e se corrigem.

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